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domingo, 9 de maio de 2010

Coisas do país do meu amigo

Foto: ^riza^

Certa vez conversava com um amigo que há muito não via. O mesmo estava de passagem em meu país, pois sua esposa tem uma irmã que se mudou com o marido para cá. Desolado, ele me contava das mazelas que acontecem em seu país. Dizia coisas horríveis e inacreditáveis. Quase não acreditei.

Meu amigo começou dizendo que em seu país as crianças que estão cursando a antiga 4ª série ainda não sabem ler e escrever corretamente, os alunos do antigo ginásio se enrolam e não resolvem problemas matemáticos simplórios e a interpretação de textos é de dar dó. Você deve pensar que os alunos do Ensino Médio são diferentes. Engano seu, se começou errado, não tem como melhorar no final. Poucos deles conseguem entrar na universidade pública, esta cheia de alunos que freqüentaram a rede privada de ensino e que teriam plenas condições de estar nas faculdades privadas. Coisas do país do meu amigo.

A política de seu país é muito engraçada. Um antigo Presidente da República, que havia sido cassado em 1992, voltou a ocupar um cargo público como um dos senadores mais votados de seu estado. O governo de seu país, segundo meu amigo acompanha temas importantes com certa passividade e conivência. Ainda no campo da política, meu amigo me contou uma história impressionante. Disse que em seu país havia certo deputado que estava sendo investigado por “esquecer” de citar em seu imposto de renda um castelo com mais de 30 suítes. Que despercebido! E outras histórias que davam conta de políticos colocando dinheiro em meias, cuecas e tudo mais onde o mesmo podia ser escondido e carregado. Meu amigo finalizou o assunto política, pois segundo ele ficaria dias e dias contando casos e mais casos que acontecem por lá. Coisas do país do meu amigo.

Então perguntei a ele como é a segurança em seu país. Ele abaixou a cabeça, sorriu e num tom de ironia disse murmurando: “É mais ou menos”. Notei que em suas palavras havia algo de estranho. Minutos depois começou a me relatar alguns casos. Disse-me que certa vez bandidos renderam uma família em seu carro, saíram em disparada com o veículo, mas havia um garotinho preso ao automóvel. O pobre menino seguiu aproximadamente 7 km preso ao veículo, culminando com uma morte terrível. Falou-me também que em algumas partes das grandes cidades há um tal toque de recolher. Sem saber do que se tratava, fui logo perguntando o que era aquilo. Surpresa minha foi que ele revelou que era uma ordem de bandidos da região para que comércio e moradores fechassem as portas em certo horário e não freqüentassem mais as ruas. Estranho, mas a rua não é um local público? Meu amigo disse que em alguns lugares de seu país não é assim. Coisas do país do meu amigo.

Estupefato com estes relatos pedi que ele parasse, pois queria conversar de coisas boas. Antes que eu terminasse de falar, seu celular tocou e ele teve que partir depressa, melhor, super depressa, sequer deu tempo que lhe perguntasse o que estava acontecendo. Ele estava de passagem em meu país e seu dia de regresso estava chegando.

Você deve estar se perguntando qual é o nome do país do meu amigo? Vou fazer certo mistério, só revelo que este país é na América do Sul e é o único em seu continente a ter como língua oficial o português. Acho que ficou fácil. Espero rever meu amigo de novo para que ele me conte mais histórias. Rezo para que na próxima vez sejam boas notícias.


Coisas do país do meu amigo.

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