Memória futebolística

Lembro-me como se fosse ontem. Uma bola com o couro despedaçado deixando a câmara de ar à mostra. Nos pés não havia chuteira, kichute, nem sequer um tênis arrebentado. A peleja era jogada com os atletas descalços. Um time era os "de camisas" e o outro os "sem camisas". A trave era de pau. Marcações de lateral, grande área e meio-campo, nem pensar. Juiz? Pra quê? As regras eram nossas, quem marcava falta era quem se sentia agredido. Se permitida a mesma era cobrada. O gol, momento mágico do futebol, para nós era o êxtase máximo de quem jogava por prazer e sonhava um dia jogar uma Copa do Mundo, mesmo que esse mundo se resumisse ao próprio bairro. O futebol é a nossa raiz, é nossa cara, nossa alma. Por isso amamos tanto esse jogo bobo em que a bola vai pra lá e pra cá e o coração quase sai pela boca quando a pelota acha a "casinha" protegida pelo goleiro vilão.

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